Gilvan Samico: a xilogravura nordestina ao grau máximo

Gilvan Samico nasceu em 1928, no Recife. Sua primorosa criação artística é voltada para a cultura popular nordestina, encontrando sua expressão mais marcante na xilogravura, realizando assim um trabalho de incomensurável valor artístico e cultural.

Na adolescência, após dois empregos frustrados, Gilvan obteve autorização do pai para estudar artes, que percebeu a habilidade em ilustração do jovem.

Gilvan estudou xilogravura com Lívio Abramo, em 1952, outro gigante da técnica. Posteriormente, lecionou xilogravura na Universidade Federal da Paraíba.

Aliando suas influências expressionistas com a cultura nordestina, a obra de Gilvan é considerada das mais importantes no ramo da xilogravura. O artista têm obras no MoMA, em Nova York, e foi premiado na Bienal de Veneza, da qual participou duas vezes.

Suas xilogravuras retratam a cultura nordestina, seu cotidiano, lendas e narrativas populares, além de animais e seres fantásticos, revelando uma obra de extremo refinamento e primor técnico, das mais importantes da xilogravura brasileira.

“Pescadores”, gravura em placa de gesso.
“Ciclistas”, xilogravura.
“Leitura na Praça”
“Homem e Cavalo”, xilogravura
“Menina dos Currupios”, xilogravura
“A Mão”, xilogravura
“Mulheres e Peixe”, xilogravura
“Mulher e Pássaro”, xilogravura
“Três Mulheres e a Lua”, xilogravura
“A Mulher com Espelho”, xilogravura
“Ciclistas”, xilogravura

4L: um filme de jornada com humor e leveza

4L é daqueles filmes quase escondidos no catálogo da Netflix, dos quais pouco ouve-se falar. Produzido pela própria Netflix, 4L é um longa leve, ideal para um fim de noite com os amigos.

No filme, dois amigos que não se veem há muito partem em uma viagem entre a Espanha e o Mali para rever um antigo companheiro de jornada, que encontra-se doente. Quem também os acompanha é a filha deste amigo, que não o vê há mais de dez anos.

Com um carro antigo e não tão preparados quanto pensavam, o trio atravessa o deserto, encontra outros viajantes com histórias nem sempre felizes, e acabam descobrindo um pouco mais de si mesmos.

As belas paisagens do deserto são acompanhadas por um humor contagiante, na medida certa e sem exageros, que fazem o filme ser gentil, leve e agradável.

Definitivamente, não trata-se de um filme com uma jornada épica e dramática, mas uma comédia que, embora criticada, tem seus charmes e vale a pena ser assistida.

10 séries criminais para maratonar na Netflix

Para quem ama resolver um crime, essa lista é um prato cheio para várias maratonas na Netflix 🙂

1. American Crime Story: The Assassination of Gianni Versace

The Assassination of Gianni Versace é uma adaptação brilhante e de tirar o fôlego da história real do assassinato do famoso estilista italiano Gianni Versace pelo jovem Andrew Cunanan.

A série não se concentra apenas em Gianni, mas traça em detalhes a vida de Cunanan, suas origens familiares, e ambições extremas, fazendo a série ser verdadeiramente genial e viciante.

2. Hannibal

Você não irá querer comer um lanchinho depois de assistir Hannibal. A trama da série se foca na tensa e dúbia amizade entre o investigador Will e o erudito Hannibal, cujo paladar e desejos estéticos levam a um canibalismo extremamente sofisticado e desumano.

3. Fargo

Com uma certa dose de humor ácido, Fargo traz um homem pacato e patético que se vê assassino por um ato descontrolado e tenta desembaraçar-se. Com uma equipe policial nem sempre eficiente, ele consegue um tom de inocência, até que as pistas começam a cercá-lo. Ao mesmo tempo, um homem misterioso envolve-se na trama, e ficamos curiosos por saber suas motivações.

4. O Perfume

Uma jovem cantora é encontrada morta, mas há um detalhe extremamente intrigante: suas glândulas odoríferas foram removidas. A partir daí, abre-se uma investigação sombria, que desenterra o passado para tentar compreender as motivações do assassino.

5. La Casa de Papel

Contando com uma legião de fãs, La Casa de Papel dispensa apresentações. O ambicioso roubo a banco conquistou o mundo, e traz uma trama bem construída, que nos faz ficar perplexos quando percebemos que estamos torcendo pelos vilões.

6. The Alienist

Na Nova York do final do século XIX, um jovem garoto de programa é encontrado morto e com partes do seu corpo removidas. Os crimes se repetem, e um estudioso da mente humana decide investigar a barbárie, mesmo causando o desagrado da polícia.

7. American Crime Story: People v. O. J. Simpson

Em 1994, o jogador de futebol americano O. J. Simpson foi acusado de assassinar sua esposa e um amigo, mas nem todos estão certos de que ele realmente cometeu esses crimes. A série é narrada da perspectivas dos advogados, e explora a questão dos acordos e manobras que foram conduzidas de ambos os lados.

8. Scherlock

A série é uma releitura bastante livre dos livros de Sir Arthur Conan Doyle, com seu famosos Scherlock Holmes agora ambientado na Londres do século XXI. Acompanhado do dr. Watson, Holmes busca selecionar diversos crimes na cidade, com uma boa pitada de humor e irreverência.

9. Gotham

Para vingar-se de um assassinato, James Gordon, um detetive novato, une suas forças para combater o crime na corrupta e perigosa Gotham.

10. Lucifer

O próprio Diabo resolve tirar umas férias do inferno e abrir um bar em Los Angeles. Mas ninguém imaginava que ele se envolveria na resolução de assassinatos…

Os mais belos casais da História da Arte

Aaah, o amor! Preparamos uma lista com 21 quadros de diferentes períodos que ilustram esse sentimento tão sublime. Prepare-se para muitas cenas de beijos, companheirismo, sofrimento, tragédia e lirismo com alguns dos casais mais marcantes da história da arte.

1. “Beijo”, Edvard Munch, 1896

2. “Amor”, Martios Sarian, 1906

3. “O Beijo”, Gustav Klimt, 1907-08

4. ” Dans le Lit, le Baiser”, Toulouse-Lautrec, 1892

5. “A Morte de Jacinto”, Jean Broc, 1801

6. “Dois Amantes” (fragmento), Vincent van Gogh, 1888

7. “Amantes da Rua”, Pablo Picasso, 1900

8. “O Sono”, Gustave Courbet, 1866

9. “Amantes na Biblioteca”, E. L. Kirchner, 1930

10. “Beijo”, Vsevolod Maksymovych, 1913

11. “Amantes Azuis”, Marc Chagall, 1914

12. “Nus Entrelaçados”, Pablo Picasso, 1905

13. “Sappho e Erinna em um Jardim de Mytilene”, Simeon Solomon, 1864

14. “Homem dormindo e mulher sentada”, Pablo Picasso, 1942

15. “Casal Descansando”, E. L. Kirchner, s.d

16. “Depois do Amor”, Marcel Duchamp, 1968

17. “Apolo e Ciparisso”, Claude Debufe, 1821

18. “O Beijo”, Rafael Zabaleta, s.d

19. “O Baile Elegante”, Marie Laurencin, 1913

20. “Amantes no Campo de Feno”, Albrecht Dürer, 1508

21. “O Beijo”, Francesco Hayez, 1859

As 5 versões de “O Grito”, de Edvard Munch

¨O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch é uma das obras mais importantes do movimento expressionista, e de tão conhecido, tornou-se um ícone da cultura popular, simbolizando a angústia do ser humano moderno e recebendo inúmeras releituras.

O que pouca gente sabe é que Munch pintou cinco versões da obra, em diferentes anos e com diferentes técnicas. A versão mais conhecida mundialmente é a segunda, pintada em 1893, mesmo ano do primeiro esboço da obra.

Fortemente expressiva, a obra retrata o sentimento de angústia e desespero de uma figura, que tem como fundo a doca de Oslofjord, em Oslo. A atenção a sensações de angústia foi tema de diversas obras do pintor, motivado por sua própria vida turbulenta.

1. 1893, papel sobre cartão, é a primeira versão.

2. 1893, óleo, pastel e têmpera sobre cartão. É a versão mais conhecida.

3. 1895, litografia sobre papel. Foram feitas 45 cópias a partir da pedra original.

4. 1895. Pastel sobre cartão. Vendida por US$ 120 milhões em 2012.

5. 1910, guache sobre cartão. Roubada em 2004 e recuperada dois anos depois.

Antecedentes: “Desespero”, de 1892.

“Desespero” (1892)

As condições psicológicas sempre atraíram a atenção de Munch. Em “Desespero”, de 1892, temos um exemplo disso com um quadro semelhante à serie ” O Grito”. Com uma paleta de cores semelhantes, temos uma figura um pouco mais definida, embora os detalhes de sua fisionomia não sejam visíveis. Tal como em “O Grito”, há duas figuras ao fundo, com chapéus. O corrimão, atravessando o quadro na diagonal e desaparecendo na perspectiva, é um item constante em diversas obras de Munch, tanto anteriores quanto posteriores a “O Grito”.

“Ansiedade”, de 1894, pintada depois das duas primeiras versões de “O Grito” também tem semelhança com esta sequência de quadros, pela paleta, fundo e descrição psicológica. Contudo, desta vez as figuras arranjam-se de modo diferente, todas voltadas para o espectador.

“Ansiedade” (1894)

Possível inspiração peruana

Alguns estudiosos da história da arte acreditam que a inspiração para a pose e caráter andrógino de “O Grito” venham de uma antiga múmia peruana exibida em 1899, na Exposição Universal de Paris e no Museu de História Natural de Florença. Especula-se que o pintor tenha visto a múmia em Florença.

A múmia peruana também foi marcante para o pintor Paul Gaugin, que fez referência à pose da múmia em mais de 20 trabalhos.

Releituras na cultura popular

A máscara do filme “Scream”, de 1996 foi inspirada nas pinturas de Munch. A pintura também serviu para inspirar o visual de alienígenas em outras produções cinematográficas, como em “Doctor Who”.

A arte de Charlotte Salomon

Charlotte Salomon nasceu em 1917, em Berlim, e morreu grávida e muito cedo, aos 26 anos, no campo de concentração de Auschwitz, para onde foi deportada por ser judia. Sua obra veio a público a partir de 1960, revelando as esperanças, sofrimentos e ambições artísticas de Charlotte durante a guerra.

Entre 1941 e 1943, Charlotte escondeu-se no sul da França, onde pintou por volta de 769 obras, antes de ser deportada e morta.

Em 1936, venceu um concurso de pintura que possibilitou que estudasse artes por dois anos, até que o endurecimento da política antissemita de Hitler fez com que seus estudos fossem prejudicados, tornando o país cada vez mais perigoso para incontáveis judeus. Então, a família decidiu deixar a Alemanha e refugiar-se na França em 1938, após os ataques da Noite dos Cristais.

Charlotte e os avós.

Na França, Charlotte viveu sob a proteção de um americano que oferecia abrigo a vários judeus, especialmente crianças, até mudar-se com os avós para Nice.

Sua arte é marcada pela intensidade das cores e pela predominância da guache, além do uso do texto como meio de expressão pictórica. Sua série “Leben? oder Theater?” revela detalhes de sua família e amigos, seus sentimentos, o contexto da guerra, seu relacionamento com os pais, entre outras temáticas, tornando-se praticamente um documentário pessoal e de suas referências culturais.

Autorretrato. 1940, guache sobre papel cartão.

Repleta de referências da literatura, poesia e música, suas pinturas refletem o ideal wagneriano da “obra de arte total”, corrente artística alemã do século XIX, que tinha por objetivo a fusão da poesia, música e artes visuais.

Suas pinturas finais foram tornando-se mais intensas e violentas, tendo em vista o terror causado pelo regime nazista.

Noite dos Cristais