A Sociedade do Automóvel

“O filme A Sociedade do Automóvel demonstra o que enfrenta grande parte das cidades mundiais atualmente. O ponto principal, no entanto, é a cidade de São Paulo, pólo econômico-social e difusor de muitas tendências. Pode-se citar como uma delas o carro, ícone de status, necessidade e diversão, de acordo com o usuário, sendo associado a muitas causas abordadas neste.


A primeira entrevistada é Lucianne, cujo emprego é em um shopping e seu meio de locomoção o carro. A condição social permite que ela escolha o modo mais eficaz para chegar ao seu trabalho, no caso o carro, diferentemente de Ricardo e Luciana, os quais necessitam de utilizar três sistemas de transporte público para atingir seus objetivos. Estes últimos pertencem a uma classe que se subordina ao caráter precário do espaço público destinado aos transportes, sem a devida harmonia entre trens, metrôs e ônibus.


O carro, por muitos preferido pelo conforto conferido ao indivíduo, tira um pouco da pessoalidade associada à relação entre pessoas e também com o meio em questão. É o que afirma o professor João Campos, que utiliza a bicicleta para seus afazeres grande parte do tempo. Para ele, o que acontece em volta e as mudanças inerentes a tudo isso torna-se muito mais perceptivo quando se está fora do carro.


Além disso, mesmo com a introspecção que a maioria das pessoas têm que o carro é mais seguro, a maior incidência de assaltos, na cidade de São Paulo, ocorre quando estas encontram-se dentro de seus veículos. A segurança pode ser relacionada também quando se fala de acidentes e problemas de saúde causados pela fumaça solta pelos carros. Os dados comprovam que a cada seis horas morre uma pessoa na cidade de São Paulo, sendo que antigamente a média era de um veículo para seis pessoas e hoje verifica-se a proporção de um para duas.


Uma feira de carros realizada em São Paulo também foi tema do filme, explorando o lado consumista e desejoso do indivíduo por se enquadrar nos padrões requeridos pela sociedade. É o que se percebe com entrevista ao público presente, sendo que a maioria dele prefere uma Ferrari a qualquer outra coisa. O denominado status é um dos que mais propiciam a movimentação do capital automobilístico atuante no cenário brasileiro e internacional. Desta forma, o que gira em torno disto, markenting, apelações, dentre outras formas de persuasão, é relevante para a análise sociológica do individuo.
Dentro desta ainda, pode-se inferir do filme a solidão presente na vida cotidiana da pessoa que tem o carro como meio de se locomover. A falta de comunicação com outras e também com o próprio meio faz com que diversos sentimentos possam surgir, seja medo de assaltos ao não abrir a janela, stress devido o trânsito, interiorização por simplesmente não possuir companhia ao lado.”

(Texto retirado da descrição do vídeo)