4L: um filme de jornada com humor e leveza

4L é daqueles filmes quase escondidos no catálogo da Netflix, dos quais pouco ouve-se falar. Produzido pela própria Netflix, 4L é um longa leve, ideal para um fim de noite com os amigos.

No filme, dois amigos que não se veem há muito partem em uma viagem entre a Espanha e o Mali para rever um antigo companheiro de jornada, que encontra-se doente. Quem também os acompanha é a filha deste amigo, que não o vê há mais de dez anos.

Com um carro antigo e não tão preparados quanto pensavam, o trio atravessa o deserto, encontra outros viajantes com histórias nem sempre felizes, e acabam descobrindo um pouco mais de si mesmos.

As belas paisagens do deserto são acompanhadas por um humor contagiante, na medida certa e sem exageros, que fazem o filme ser gentil, leve e agradável.

Definitivamente, não trata-se de um filme com uma jornada épica e dramática, mas uma comédia que, embora criticada, tem seus charmes e vale a pena ser assistida.

10 filmes e séries sobre monarcas

Os filmes ou séries sobre monarcas não costumam passar despercebidos. Seja pelas extravagâncias, opulência e dilemas éticos, elas mostram os bastidores de importantes fatos históricos, e balançam o imaginário de muita gente, além de nos fazerem refletir sobre os limites do poder.

Confira a lista especial que preparamos de 10 filmes e séries interessantes sobre monarcas, que misturam muita história, conflitos políticos e riquezas.

1. The Crown

Considerada uma das séries mais caras já feitas, The Crown traz a biografia da Rainha Elizabeth II, em meio às tensões políticas que marcaram o século XX.

Com belíssimas imagens, a série consegue retratar de modo cativante a vida da monarca, seus conflitos familiares e crises políticas ao redor do globo.

2. Versailles

Se você procura toda a extravagância da corte, somada a intrigas, espionagens, traições, assassinatos, belas filmagens e um drama bem construído, seja bem-vindo a Versailles.

A série retrata a vida de Luís XVI, o famoso Rei Sol, que buscava tornar a França o centro do mundo em meio a diversas conspirações contra sua vida.

3. Um Reino Unido

O filme retrata o drama do casal Seretse Khama, príncipe negro herdeiro do trono de Bechuanalândia, atual Botswana, e Ruth Williams, uma funcionária de escritório inglesa, em meio ao preconceito e intrincadas questões políticas nos anos 40.

4. A Jovem Rainha

Criada como um menino, a Rainha Cristina da Suécia é atraída pela ciência e progresso, mas encontra muitos adversários na tentativa de modernizar o seu país, além do preconceito por seu romance com outra mulher.

5. Grace de Mônaco

Com Nicole Kidman no papel principal, o filme traz a vida de Grace Kelly, atriz americana que abandonou o cinema para casar-se com o príncipe de Mônaco, em 1956. Contudo, o pequeno país sofre com ameaças de uma invasão francesa, e Grace busca desempenhar um papel político para interceder e tentar reverter a situação.

6. O Discurso do Rei

Nas vésperas de sua ascensão ao trono britânico, o rei George VI procura ajuda de um fonoaudiólogo australiano para tratar seu problema de fala, que deixa-o paralisado de aflição diante da necessidade de discursar e falar em público.

7. Os Últimos Czares

Mistura de série e documentário, a nova série de Netflix retrata o esplendor e queda trágica da família mais importante da Rússia, os Romanov, assassinados em 1917 durante uma série de revoluções que mudaria para sempre a política mundial.

8. A Rainha

A brilhante Helen Mirren interpreta a Rainha Elizabeth II e suas aflições durante o conturbado período da morte da Princesa Diana.

9. Macbeth

Esta fantástica adaptação da peça homônima de Shakespeare retrata toda a ganância e agonia de Macbeth e sua tentativa de ascensão ao trono pelos meios mais obscuros. A série traz paisagens maravilhosas, e é envolta em um clima onírico.

10. The Princess Weiyoung

Na trama, a Princesa Weiyoung, que é sobrevivente de um massacre assume um disfarce para vingar sua família. Apesar das críticas negativas, a série é muito interessante para conhecer a China Imperial.

A Sociedade do Automóvel

“O filme A Sociedade do Automóvel demonstra o que enfrenta grande parte das cidades mundiais atualmente. O ponto principal, no entanto, é a cidade de São Paulo, pólo econômico-social e difusor de muitas tendências. Pode-se citar como uma delas o carro, ícone de status, necessidade e diversão, de acordo com o usuário, sendo associado a muitas causas abordadas neste.


A primeira entrevistada é Lucianne, cujo emprego é em um shopping e seu meio de locomoção o carro. A condição social permite que ela escolha o modo mais eficaz para chegar ao seu trabalho, no caso o carro, diferentemente de Ricardo e Luciana, os quais necessitam de utilizar três sistemas de transporte público para atingir seus objetivos. Estes últimos pertencem a uma classe que se subordina ao caráter precário do espaço público destinado aos transportes, sem a devida harmonia entre trens, metrôs e ônibus.


O carro, por muitos preferido pelo conforto conferido ao indivíduo, tira um pouco da pessoalidade associada à relação entre pessoas e também com o meio em questão. É o que afirma o professor João Campos, que utiliza a bicicleta para seus afazeres grande parte do tempo. Para ele, o que acontece em volta e as mudanças inerentes a tudo isso torna-se muito mais perceptivo quando se está fora do carro.


Além disso, mesmo com a introspecção que a maioria das pessoas têm que o carro é mais seguro, a maior incidência de assaltos, na cidade de São Paulo, ocorre quando estas encontram-se dentro de seus veículos. A segurança pode ser relacionada também quando se fala de acidentes e problemas de saúde causados pela fumaça solta pelos carros. Os dados comprovam que a cada seis horas morre uma pessoa na cidade de São Paulo, sendo que antigamente a média era de um veículo para seis pessoas e hoje verifica-se a proporção de um para duas.


Uma feira de carros realizada em São Paulo também foi tema do filme, explorando o lado consumista e desejoso do indivíduo por se enquadrar nos padrões requeridos pela sociedade. É o que se percebe com entrevista ao público presente, sendo que a maioria dele prefere uma Ferrari a qualquer outra coisa. O denominado status é um dos que mais propiciam a movimentação do capital automobilístico atuante no cenário brasileiro e internacional. Desta forma, o que gira em torno disto, markenting, apelações, dentre outras formas de persuasão, é relevante para a análise sociológica do individuo.
Dentro desta ainda, pode-se inferir do filme a solidão presente na vida cotidiana da pessoa que tem o carro como meio de se locomover. A falta de comunicação com outras e também com o próprio meio faz com que diversos sentimentos possam surgir, seja medo de assaltos ao não abrir a janela, stress devido o trânsito, interiorização por simplesmente não possuir companhia ao lado.”

(Texto retirado da descrição do vídeo)

A Dama Dourada

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas roubaram várias obras de arte, muitas delas perdidas até hoje. No filme “A Dama Dourada”, temos o caso real da luta de Maria Altmann, interpretada por ninguém menos que Helen Mirren, que tenta rever os quadros de sua família tomados pelos nazistas.

O quadro em questão é um retrato da tia de Maria, Adele. Mas não um retrato comum, e sim um fabuloso quadro pintado por Gustav Klimt, em todo o esplendor de sua icônica fase dourada.

Para quem prefere ler antes, também há um livro sobre o filme, de mesmo nome e que retrata em detalhes a vida da família Bloch-Bauer e toda a decadência de Viena durante a Segunda Guerra.

Retrato de Adele Bloch-Bauer I . Gustav Klimt, 1907.

Maria, que vive em Los Angeles e tem uma modesta loja de roupas, decide entrar com um processo contra o governo austríaco para recuperar o quadro da tia. Sua família austríaca era muito abastada, e tal como muitos judeus, teve suas posses confiscadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Para isso, Maria conta com a ajuda do advogado Randol Schoenberg. Randol não era um grande advogado, e passava por vários problemas pessoais. Mesmo assim, persiste no caso mais por respeito por Maria, que é amiga da família, do que por realmente acreditar que a obra de importância incomensurável possa realmente ser recuperada.

A verdadeira Maria Altmann.

Randol, tal como Maria, é descendente de austríacos, e também de um artista importantíssimo: o compositor Arnold Schoenberg, da magistral “Noite Transfigurada”.

Um dos pontos mais interessantes do filme é retratar duas pessoas comuns com antepassados gloriosos tentando reaver suas próprias histórias. E o filme não é daquelas batalhas judiciais entediantes e sem fim, e sim é bastante dinâmico, com flashbacks para a época da guerra que são de tirar o fôlego, como na cena da fuga de avião, que faz o coração saltar.

Adele é de arrancar suspiros, e todo o ambiente luxuoso e cultural da família é memorável, em uma atmosfera que lembra e muito a aura dourada dos quadros de Klimt. Além disso, a atriz também é muito parecida com a Adele verdadeira.

Infelizmente o filme não tem uma boa nota nos sites sobre cinema, o que é bastante injusto, já que é bem feito e emocionante, e certamente encantará os amantes da arte e dos filmes de guerra. Apesar das críticas negativas, vale muito a pena ser assistido.

Helen Mirren como Maria

O banheiro do Papa

O filme “O Banheiro do Papa”, de César Charlone, aborda a visita do papa João Paulo II a Melo, no Uruguai, em 1988. Ou melhor, mostra todo o grande esforço da comunidade pobre local para lucrar alguma coisa com o evento e melhorar um pouco a vida. A comida foi o produto escolhido por todos, que acabaram por endividaram-se ainda mais para comprá-la. Porém Beto, o protagonista, teve uma ideia diferente: construir um banheiro. Todos precisariam aliviar-se depois de um dia comendo e esperando o Papa, não é mesmo?

Beto era contrabandista, e assim como os colegas, buscava uma vida melhor. Entre os contrabandistas, havia os com um pouco mais de dinheiro, que faziam o transporte em motocicletas, e os mais pobres, que iam de bicicleta, dos quais Beto fazia parte. Diariamente Beto era ultrapassado pelas motocicletas, o que fazia com que sonhasse em comprar uma para agilizar seu contrabando.

O transporte de mercadorias, que eram revendidas para mercados ou para as pessoas comuns, lembra o conceito da cultura como “carga” desenvolvida pelo antropólogo Roy Wagner no livro “A Invenção da Cultura”*. Ao realizar um estudo de campo junto ao povo daribi, da Nova Guiné, Wagner percebeu que a ideia que os daribi tinham sobre a cultura ocidental era de algo baseado na “carga”, ou seja, no transporte de produtos. É possível fazer a mesma relação com a situação mostrada no filme, não só do ponto dos mais pobres, mas do sistema como um todo, sempre ávido por coisas, e coisas precisam ser transportadas, inclusive transportar a si mesmas para ver uma figura importante.

No filme, Beto empenha todas as suas forças na construção de um banheiro para a visita do Papa, usando até o dinheiro que tinham guardado para os estudos da filha. Enquanto isso, seus vizinhos investiam em comida, motivados pela ampla cobertura da televisão sobre o evento, que fazia previsões para um grande público.

Silvia, filha de Beto, via o evento com outros olhos. Era atraída pelos jornalistas e sonhava um dia entrar na profissão. Ao mesmo tempo, ficava aborrecida com as atitudes do pai, que em uma mistura de egoísmo e necessidade, usava o dinheiro que a mãe guardava para seus estudos na construção do banheiro. Na relação entre pai e filha, também é observável a estrutura do Estado no interior da família, já que da mesma forma que o Estado tentava confiscar os produtos de Beto, o pai controlava e tentava confiscar o gosto pelo estudo da filha.

A televisão anunciava 10 quilômetros de filas de ônibus de peregrinos brasileiros, mas frustrando todas as expectativas, o discurso papal dura cerca de 15 minutos, e número muito pequeno de pessoas foi ao evento. As vendas foram horríveis, e a multidão de “turistas-devotos” era totalmente indiferente à população local, que cada vez ficava mais desesperada ter investido o pouco que tinha.

As cenas finais do filme mostram os olhares tristes da população de Melo, a sujeira deixada e bandeiras do Vaticano cobrindo linguiças, em uma oposição entre sacro e profano.

A irresponsabilidade da mídia naquela ocasião faz com que Sílvia perca o encanto pelo jornalismo, e passe a ajudar o pai com o contrabando, agora a pé, pois não havia mais bicicleta.

Mas apesar de tudo, no final Beto enche-se de esperança e alegria e diz ter uma nova ideia para o banheiro.

Referencial:

* WAGNER, Roy. A Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac Naify, 2009.